28 de maio de 2013

sobre o orgulho singular.

Postado por V, às 21:05 0 comentários
bem. meu professor me parece um tanto desacreditado da vida e das pessoas. acredito que ele seja assim por se orgulhar por ser professor e só. sempre fala que tem amigos que fazem coisas, que reclamam das coisas, que se envolvem com as coisas, mas ele simplesmente está lá para ouvir. até parece que aquilo o que ele tem, TUDO o que ele tem, é a carreira de professor, onde ele trata os alunos dele como mero trapo de se limpar chão encardido.
não que ele seja uma má pessoa, mas ele não parece ser das melhores.
fico imaginando quão terrível deve ser ter só a carreira para se orgulhar. sei que isso é uma grande aquisição na vida, mas imagina você ter só isso para se orgulhar de? me parece tão vazio, ter uma coisa só.
e nesse passo, você passa a acreditar que todos que não estão ao seu lado, ou acima de você, não passam de quaisquer. mas não é assim. quer dizer, eu não acho que seja assim.
e pensem em quantas pessoas não tem, apenas, a carreira para se orgulhar de? e se nós estamos todos fadados a fazer sucesso em um só caminho? trilhar um só caminho, e fecharmos a nós mesmos nesse único caminho que deve ser tão solitário quando não ter sucesso em nada?
não que eu espere nunca conseguir uma boa carreira. quero uma. duas, até. poder ficar alternando, sem se tornar chato. mas não só nisso. posso ter um amor, quem sabe. posso ter uma casa pra mostrar para as pessoas, quem sabe. uma boa história, uma história realmente boa, para contar, quem sabe.
o único, singular, um só deve atrair muita gente. mas eu sempre preferi trabalhar de dois. com dois. ou mais.
apesar do minimalismo, acredito que pra vida, pra boa conversa de cozinha ou sofá, o que interessa é "mais".

26 de maio de 2013

sobre antônio.

Postado por V, às 17:48 0 comentários
e a poesia contemporânea tem tantas novas formas, e uma delas são os guardanapos de Antônio.
mesmo com o papel simples e as frases bonitas, algumas pessoas não veem o que realmente importa: o guardanapo. o que diferencia a atenção dada à sua poesia, e à poesia dos outros, é o objeto em que se escreve.
mas as vidas são todas como guardanapos. existem pessoas que simplesmente veem o corpo, e não a essência. as pessoas veem o texto, mas não veem a tela, o guardanapo. e mesmo a vida-guardanapo sendo tão invisível e tão frágil, existem pessoas que a enxergam em primeiro plano, e só depois procura pelo corpo-frase.
enfim, a poesia ainda existe ali. sendo no corpo, ou sendo na vida.

23 de maio de 2013

heim. heima. veröld.

Postado por V, às 18:53 0 comentários
existem coisas que fazem com que pensemos que a nossa casa é, realmente, a nossa casa. como um colchão, um travesseiro, um diário, um urso de pelúcia. uma fotografia.
e, também, existem coisas que fazem com que pensemos que a casa dos outros é a nossa casa.
e, por fim, existem coisas, que fazem com que pensemos que o mundo todo, ou universo, até mesmo debaixo d'água, às vezes, ou além da atmosfera terrestre, é a nossa casa.

heimurinn er heimili mitt.
home is everywhere.

19 de maio de 2013

sobre a ciência e o ser cientista.

Postado por V, às 17:08 0 comentários
ciência: (minha concepção de:) estar ciente/saber de algo.
ciente: (minha concepção de:) ter ciência de algo.
cientista: (minha concepção de:) pessoa que procura, constantemente, ter ciência/estar ciente de diversas coisas.

porque se você pára e pensa em todas as coisas que lemos, ouvimos e falamos, no fim não sabe qual a real função. pensei na ciência, afinal, gosto tanto dela. gosto de estar ciente. e admiro qualquer pessoa que seja cientista.
e hoje, mesmo com todo meu ateísmo, fui à missa com a família. admiro a religião cristã, mas não sigo por não concordar com nada. e lá no slide de sete características (acho) do espírito santo, estava a "ciência". muitas pessoas devem entender "ciência" por estudos, cálculos, coisas difíceis e todo o resto desse gênero. mas não. o ato de se "fazer ciência" é o ato de se "fazer ciente". existe a ciência de uma pessoa estando bem. você se faz ciente que ela está bem. ou a ciência de uma pessoa mal. você fica ciente de que ela está mal.
sua mãe deve ser cientista, então.
a vizinha fofoqueira, com certeza (pode ser minha mãe, no caso), é cientista.
quase todos nós somos cientistas.
alguns são cientistas do mundo. outros do universo. alguns da vida e outros da química. alguns de si próprios e outros dos outros.
seria interessante se todos nós fossemos cientes.



de algo maior.

10 de maio de 2013

sobre mulheres.

Postado por V, às 19:49 0 comentários
falar sobre o sexo feminino hoje em dia é algo difícil. falo isso por pertencer a ele e odiar todas as opiniões e visões que tem diante da parcela feminina da minha geração. odeio grande parte dela, também, mas como faço parte, sinto um pouco da agulhada nos olhos.
é que o fato de ser mulher é polêmico desde os tempos medievais. alguns homens ainda são bárbaros e acham que é dever da mulher ser do lar, ficar sempre bonita e coisas assim. existem as mulheres que concordam. sendo machismo ou não, é uma realidade contínua. o "arroz com feijão" da sociedade: homem no trabalho, mulher na casa.
já por outro lado, existem as mulheres que vestem a armadura e vão para a luta. acham que a independência é o must-have da vida delas, que o próprio carro tem que ter o IPVA pago por elas, que a casa tem que receber todas as contas no nome dela, que o aluguel tem que ser pago por ela, o carnê das lojas tem que vir no nome dela e a lista de coisas que as mulheres independentes galgam é interminável. traduzindo: existem mulheres que acham que elas DEVEM vestir as calças.
não tiro direito nem da mulher "arroz com feijão" e nem da "peito de ferro". afinal, respeito qualquer opinião, de qualquer pessoa, de qualquer gosto ou esquerdista ou direitista. mas respeito, ainda mais, as mulheres que são um mix dessa esquerda e direita. não pelo fato de que eu invejo pessoas ambidestras, mas acho que tudo na vida deve ser diluído um pouco.
vejo as mulheres indo na marcha das vadias e acho que elas são bem "peito de ferro" pra gritarem pelos seus direitos. acho bonito, mas acho que hoje em dia acabou sendo algo meio comum. isso pode ser ótimo se tivesse realmente algum resultado, mas a sociedade ou vê a mulher como um objeto sexual, ou como um objeto doméstico, ou como uma pedra no sapato que nunca sai.
sei que demorarão mais séculos e séculos até que essa imagem esteriotipada se perca, e o que resta para a minha singela intelectualidade é aceitar que ainda verei, ouvirei e lerei muito pinto brocha falando que mulher que tem opinião é puta ou vadia. se é inveja, falta de relação, falta de informação, falta de senso, não sei e pretendo não me estressar com coisas assim.
mas, também, com as mulheres que acham que a vagina delas é de ouro e que merece ser reverenciada por todos no mundo.
sorry, idiot. your dick is not power. not either your pussy, dumb lady.
espero que o mundo tenha um pouco mais de bom senso. as pessoas poderiam pensar um pouco mais. mas pensar nas pessoas como pessoas, não como objetos. tem tanta gente vendo a vida como competição, que chega a ser triste. tem tanta gente que vê a vida como hierarquia, e isso é triste.
aceitem, gente. o pênis e o útero tem o mesmo valor. vem o útero, não existe criança. mas sem pênis, não existe sêmen. porém, sem o óvulo, o sêmen é inútil. e vice-versa.
 

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