5 de março de 2012

Desenterra teu passado. Abraça ele. Não tem nada de errado nisso.

Postado por V, às 18:53
Velhos hábitos, velhas músicas. As pessoas a gente tenta esquecer de qualquer modo.
Tu lembra quando as coisas eram fáceis e tu dramatizava? Lembra quando saia por aí mostrando teus cortes, e ainda achava que podia enfrentar qualquer coisa, mas no primeiro sopro já caía de joelhos? Parece que foi ontem, não é? Já se passaram vários anos, e tu continua do mesmo modo. Só que dessa vez mostra cicatrizes e enfrenta os furacões com sorriso no rosto. Tu cresceu, guria, só isso.
Tu vai montando teu castelo de cartas com memórias tão frágeis, mas que te construíram do modo que tu é hoje. Tu fica relendo aquilo tudo e tenta entender o que dava na tua cabeça de fazer aquelas coisas. Mas tu fez, e o melhor: não se arrepende. Por que se arrependimento matasse, tu seria imortal de qualquer forma. Aquilo o que te construiu não te envergonha, e pouco te importa o que pensam, não é? Tu nunca mudou nesse aspecto. As respostas estão cada vez mais curtas, e o sorriso cada vez mais apertado. Hoje em dia tu tem cara de vilã, mas coração de heroína. Pena que ninguém nunca tentou passar por essa tua casca grossa e foi cutucar o que realmente interessa dentro de ti. O amor que tu guardou pra quem merece ainda tá ai, intacto. E já fazem anos que ele está se acumulando.
E aquele nome? Aquele mesmo. Parece que ainda anda por aí, não é? São pessoas diferentes, mas aqueles que marcam, que voltam sempre que possível. Aqueles que tu nunca vai esquecer mesmo, ainda tá aí. Na tua vida. Na tua frente. E tu sempre fugindo dele. É só o normal. Eles nunca entenderam o quanto tu precisava deles, e uma hora a gente cansa. Tu cansou. Eu me cansaria. Ninguém é de ferro, guria. Não tenha vergonha do que já sentiu, nem mesmo daquilo que tu já chorou. Uma hora a gente cresce e acha tudo besteira mesmo. É normal.
Lembra o tanto de "para sempre" que durou apenas algumas horas? Tu lembra das risadas, manias, amizades que foi perdendo ao longo do caminho? Lembra o quanto tu gostava daquilo? Era uma vida que tu sempre achou que iria ser para sempre e perfeita. A perfeição te deixa na mão e o sempre solta tua mão na primeira curva. Tu que decide se corre atrás deles.
Aquela tua felicidade jamais foi tua de verdade. Tu sabia que aquelas (essas) lágrimas eram de crocodilo e aquele (esse) sorriso era de plástico. Tu sabia que o que é teu está por vir. Calma, guria. Tudo tem teu tempo, mesmo tu odiando isso. Aquele mesmo tempo que tirou de ti os mais "importantes", os mais "superficiais" e te trouxe aqueles que tu abraça hoje em dia e chama de amigo. Esse mesmo que tu odeia por ser tão lento e deixar tu desistir de tantas coisas. A culpa não é dele. Nem sua. Tu desiste das coisas por que sabe que elas não são possíveis. Tu sabe disso. É uma desistente, como já te mostraram que não têm problema em ser.
Mas é aquela coisa, guria. Tudo o que tu joga pela janela, cai na tua cabeça quando tu sai de casa. É tua opção chutar ou guardar no bolso. Eu sei que tu não vai ser idiota até esse ponto. Às vezes, sempre, tu é. Mas acho tu mudou demais. Eu quase não te reconheço mais. Não é mais aquela guria que fica apagada, comportada, sentadinha nos lugares. Tu cresceu. Ainda não é mulher, mas não é mais menina. Gosta que te chamem de guria, por sabe que guria vai sempre ser esse meio-a-meio. Tu não quer passar disso com os outros.
Continua fazendo essa tua gangorra de sentimentos e época. Hoje tu está no mesmo dia em que eu, mas depois volta até os dias em que queria ter abraçado aquele cara. Depois falta dois anos e pára lá. Quase nunca te vejo do meu lado, e tenho que ficar te escrevendo, para ver se ainda acredita que é capaz. Para ver se ainda acredita em mim.
Acredita em ti, guria. Tu vai longe, assim espero. Guarda no bolso tudo aquilo que faz você sentir dor, e transforma em alegria. Pega tudo aquilo o que te lembra o passado, e transforma em futuro. Tu já tentou fazer isso, mas não da maneira correta. Só acredita que tu consegue. Sem coisas impossíveis. Teus pés e joelhos ainda não são de ferro. E de qualquer forma, ferro uma hora enferruja.
Só olha para trás e lembra que eu tô aqui te assistindo crescer.

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