assisti um filme que começava pelos crédito. sim, os créditos finais eram a primeira "cena" da coisa. até eu entender todo o filme demorou décadas, até agora acho que não entendi o começo-final dele, mas ao longo eu fui reparando que existem tantas coisas que a gente começa pelo fim, que quando chegamos no começo, já perdemos totalmente o interesse, a ação e suspense da história. mas eu sempre faço isso. eu começo pela parte interessante e depois vou construindo o meio e o início. não só no que escrevo, mas no que vivo. eu prefiro ter a certeza que de vai o final vai ser bom, que esqueço de ir tentando fazer o começo e o meio ficarem bons. eu nunca me dei bem com finais surpresas e nunca soube construir bons inícios. eu simplesmente nunca me dei bem com as coisas.
e é irônico eu nunca pensar em seguir para o norte. para a continuação do caminho, sabe? eu sempre penso em ir direto para o sul. dar meia volta e fazer todo o caminho de novo. voltar até onde eu comecei, e ir além daquilo que eu nunca prestei atenção que eu fiz. eu fico olhando para o sul, onde o sol apenas reflete, mas nunca aparece. eu fico tentando voltar nos dias em que perdi as oportunidades, fico tentando refazer meus erros. fico tentando arrumar o final de cada dia, só pra ver se o começo do outro melhora. mas eu só faço isso depois que o dia seguinte já chegou e já acabou. eu fico revirando páginas escritas a caneta que eu não posso mais rasgar nem apagar. e eu sei disso. e mesmo assim fico tentando.
eu volto do presente até o passado. eu avanço até o final, e só depois do fim eu reparo nas coisas que deveriam ter acontecido e terem sido entendidas no início. eu parto do meio da história até o final que eu tanto queria, mesmo sabendo que ele nunca vai ser assim. eu desisto quando percebo que as coisas estão incompletas.
eu me encontro voltando até o fim das coisas de novo. eu me vejo indo ao encontro de finais que eu gostaria de poder mudar. eu me vejo indo até as noites em que eu poderia ter aproveitado mais. eu me vejo indo até pessoas que eu poderia ter tentado mais uma vez. eu me vejo fazendo aquelas coisas que eu nunca tive coragem de fazer por medo do que iria acontecer. eu me vejo perdendo o medo, eu me vejo deixando a vontade vencer o orgulho. eu me vejo sendo uma pessoa diferente. alguém que eu nunca vou conseguir ser de verdade.
eu dia talvez eu comece pelo início. até lá eu vou tecendo milhares de finais, milhares de meios, e junte todos de uma forma apropriada. talvez um dia eu pare de desistir de tudo. talvez.
3 de março de 2012
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