não a MINHA casa, mas a casa que eu sempre quis. é a casa azul bebe que eu comentei em um post meloso daqui do blog. sabe quando a gente quer tanto uma coisa, tem uma paixão por aquilo há tantos anos que nem mesmo lembra há quanto tempo exatamente? era o que eu sentia por aquela casa. é uma das ultimas casas old style que tem no centro da cidade. do meio de uma avenida comercial. e ela era azul bebê. e abandonada. e a ultima dona (pelo o que me contaram) era uma velhinha que fabricava e vendia suas próprias balas. eu sempre imaginei ela uma velhinha muito simpática. quase tão simpática quanto a simpatia que a casa dela transpassava. certo que eu sempre achei que a casa era abandonada e assombrada. a casa é velha, então qualquer pessoa pensaria isso. e acho que era por isso que eu sempre gostei dela. eu tinha vontade de um dia bater naquele portão baixo, ou até mesmo pular ele, e ir bater na porta. aquela casa era como se tivesse algo dentro que eu precisava descobrir o que era. e que era meu exclusivamente meu. (sim, ainda estamos falando de uma casa aleatória no centro de uma cidade aleatória, da qual eu nunca nem passei do lado da calçada pra admirar).
eu passei pela avenida hoje e me deparei com um carro atravessado no jardim da minha casa. e a minha casa azul estava começando a ficar branca. e já não tinha mais nenhum portão ou murinho que separava o meu jardim da calçada. eu não quis acreditar que tinha um carro atravessado no meu jardim. no meio da grama da minha casa azul. e é irônico como, se já não bastasse a casa ser velha, misteriosa e azul, esse fato da invasão seguida de reforma sem precedentes se aplica à praticamente todo objeto de desejo meu. todas as coisas (azuis ou verdes, claro), das quais eu tenho paixão à primeira vista, do nada vão brutalmente invadidas e eu só consigo ficar assistindo. eu fico ali de mãos atadas enquanto eu vejo outras pessoas trabalhando naquilo o que eu sempre quis. mesmo que se eu nunca tivesse a chance de possuir aquilo, eu gostaria que mantivessem aquilo intacto. do mesmo jeito que eu vi quando me apaixonei. não importe o quão platônico isso seja.
hoje eu vejo que cada vez mais as pessoas ao meu redor são grande casas azuis. ficam ali, lindas e antigas, expostas só até o tempo de eu criar um afeto platônico por elas. no dia seguinte aparecem fiats azuis grafite atravessados nos gramados das minhas casas e eu total desisto de qualquer primeiro passo para a aquisição. porquê eu ainda respeito todas as pessoas que chegam primeiro que eu. mesmo se eu tivesse me apaixonado antes. a pessoa teve mais coragem. eu não.
o lado bom nisso: outras pessoas lindas, azuis, intactas e expostas eu acho o tempo todo. só preciso ter certeza de que já não tenha um fiat estacionado nelas.
o lado ruim nisso: eu nunca vou encontrar outra casa azul que me encante como aquela me encantou.
tudo bem. só espero que a minha casa azul, que era exclusivamente minha, se transforme em um consultório. se existe uma coisa que eu odeie mais do que fiats estacionados no gramado da minha casa, são pessoas indo se curar onde eu deveria ter conseguido instalar a minha biblioteca particular. com o meu sofazinho vermelho e minhas canecas de chá por todas as mesas daquela casa. não acho justo gente se curando naquele meu espaço de solidão, que afinal, não haveria ninguém para morar na minha casa azul além de mim. ela seria minha. só minha. parte de mim. aquela parte de mim que ninguém é autorizado a xeretar. iria ser meu eterno cantinho azul nesse mundo...
...iria.
12 de março de 2012
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