14 de abril de 2012

juro que chorei.

Postado por V, às 11:39
a lista de livros que me comovem é praticamente inexistente. apenas dois exemplares me levaram ao pranto, e olha, levariam de novo e de novo todas as vezes que lesse. um deles é "chuva de novembro" de Carlos de Andrade, que... é impossível não se apaixonar pela história, pela temática, pelo romance que ali é retratado. eu chorei no meio do livro, e me privei de chorar no final, que, além de trágico e clichê, é marcante. levando o fato de que a narrativa faz você realmente acreditar que aquilo foi real (a narrativa deixa bem explicita a ideia de que tudo aquilo aconteceu mesmo, só pelo fato de ser banalmente possível), eu me privei do choro. eu estou sempre me privando da dádiva do choro quando a questão é literária, cinematográfica ou... sentimental. eu me privo do choro e ponto.
depois de "chuva de novembro", livro do qual eu li em meio a uma crise emocional, e até agora eu não sei se chorei pelo livro ou pelo o que eu pensava enquanto lia, um livro que me cativou no sentido das emoções foi "Shiver", um dos melhores romances que eu já li, por ser tão puro e tão... doce. não é como todos os outros livros que nós encontramos por aí, cheio de malícia bem escondida ou sobrenaturalidade. mesmo tendo o toque dessas duas coisas, você se prende à história de uma forma que qualquer demonstração de afeto você compararia com as cenas que você debilmente imaginou. não chorei com "Shiver", mas é aquele livro que quando eu reler, vou sentir um alívio incrível por ainda existir pessoas que acreditam no amor mais puro e sincero. depois vou sentir falta disso nas pessoas com que me relaciono. um clichê na vida real faz bem, às vezes.
depois de "Shiver", outro livro que me marcou muito foi "Estrada Da Noite" ou "Heart Shaped Box". sim, aquele livro do rock star quarentão sulista. e olha, uma pessoa se comover com a história assombrada de um rock star sujo e mal-educado não é coisa de gente normal, mas de todo lado ruim, eu tiro coisas boas. é aquele livro que a gente tem dó de terminar, por que a história acaba ali. e outras histórias postiças e irrelevantes, a gente vai empurrando com a barriga, esperando fielmente que um dia, depois de tanto tempo perdido, o fim chegue. "Estrada da Noite" fez total sentido quando eu reli ela no final do ano passado, justamente pelo cenário sentimental em que me encontrava. mostrava que, olha, o que você quer, é possível. várias pessoas já conseguiram. o problema é chegar lá, não? conseguir chegar lá. mas quem sabe, um dia eu não chegue, certo? quem sabe.
e agora, temos o tão comentado "We Need To Talk About Kevin". não sei o que me levou a ler ele. lembro, realmente lembro, que naqueles folhetos da intrínseca que eram enviados junto com os livros de twilight saga, eu me sentia atraída pela capa, mas a sinopse nunca me foi palpável. eu nunca achei que "precisamos falar sobre o kevin" com a capa de um garoto com a cabeça de um gato seria uma boa história. mas toda vez que lia o título e via aquela capa. lembro-me vagamente de um amigo dos meus irmãos um dia ter visto o folheto e falado "precisamos falar sobre o kevin... que capa estranha", e é de fato. mas ninguém nunca tinha se aprofundado mais do que comentários sobre a capa... ninguém conhecia kevin khatchadourian a ponto de fazer uma propaganda sadia dele. deixei o cabecinha de gato na sombra por uns bons três anos, se lembro bem da época em que li a saga twilight. engraçado que todos os livros que comprávamos da intríseca, vinha o folheto com a propagandinha do kevin, e eu nunca que soube o tanto que o livro era fascinante. depois, no começo desse ano, em uma das minhas raras aventuras pelo twitter, encontrei a hashtag "WeNeedToTalkAboutKevin" quase que em primeiro lugar no Treding Topic, e me impressionei: "aquele cabecinha de gato virou filme?" li alguns tweets do assunto, comentei sobre, mas logo me esqueci disso. nunca imaginei que falaria do kevin por tanto tempo. e depois a parte do jornal e da capa que eu já relatei. a parte do filme e do sentimento de surpresa ao ver tudo. agora é o explicação da sensação ao ler tudo.
motivos para eu ser fascinada pelo KK são inúmeros. eu sempre preferi as histórias do assassinos, mas sempre achei engraçado que eu nunca tenha lido ou visto a história do ponto de vista do assassino. e com KK não foi diferente, quem conta a história é a mãe dele, por meio de cartas à seu marido. ela pinta o quadro de que KK nunca foi uma criança fácil, desde o primeiro momento recusava a mãe, e criou um enorme laço com o pai, e continuou assim até a quinta-feira. desde a destruição de uma colagem na parede que Eva demorou bastante tempo para concluir, até a encenação de um depoimento acusador que dizia respeito à professora de dramaturgia, KK fez com que eu me entendesse. as atitudes dele, mesmo que não sofrendo nenhum abuso ou nem mesmo que fosse maltratado, me fez entender o lado das atrocidades que ele fazia. eu sempre entendi o lado dos malfeitores, por que eu sei que isso pode acontecer com qualquer um. e sim, eu até defendo alguns psicóticos, por a condição mental deles não permite que eles entendam realmente a gravidade do que fizeram, mas KK é algo diferente. KK é a pura maldade que nós podemos encontrar nas ruas, e isso me fascina. é um mal genuíno, que se nasce com ele, e não se adquire. KK é como a coleção de vírus dele: puro. não são como essas pessoas que culpam as coisas pelos seus atos, KK simplesmente faz e pronto, é aquilo. ele até mesmo retrata que as pessoas estão sempre procurando algo para pôr a culpa, ninguém nunca aguenta admitir que errou e que devem arcar com as consequências. KK faz ser aceitável ser diferente. KK faz ser normal as pessoas agirem de um jeito mais retraído. KK faz com que você se acostume com sorrisos de canto e olhares estreitos.
não sei o momento em que escolhi para ler (ou melhor, que a história escolheu para me fascinar) sobre KK foi um momento turbulento. eu estava passando por muitas coisas e eram sentimentos jogados por todos os lados. eu não conseguia mais me conformar com o rumo que as coisas estavam levando, e todos os relatos da Eva me fizeram enxergar que muitas vezes nós engolimos coisas que não nos eram necessárias engolir. vi que precisamos agir como se algumas coisas não nos incomodassem, mas precisamos sentir orgulho dos nossos erros e pelo que somos reconhecidos. carregar uma cruz do tamanho de KK não deve ser fácil, mas ela conseguiu. mesmo sendo fictício, conseguiu. então eu posso carregar qualquer uma que seja a minha.
e depois, as frases de impacto e a ações de KK. fez com que eu pensasse melhor nas coisas. nos atos, em tudo. como disse, KK é puro, simplesmente.
e talvez por eu não conseguir definir de fato o que eu senti ao terminar o livro (uma tristeza enorme, eu acho, a ponto de chorar com o diálogo final), que eu esteja tão apegada. eu entendi o lado de KK, eu entendi tudo. e olha, talvez seja espantoso, mas daria colo para KK se existisse e precisasse. ele é só puro, e quando manipulamos algo puro da forma errada, eles acabam se tornando maus. como os vírus de computador, propriamente ditos.
e é isso. chorei com a história de um pitboy. e choraria de novo.

0 comentários:

Postar um comentário

 

paranoia comum. Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos